Instaladas em Poços
de Caldas (MG), as irmãs
dominicanas da
Congregação de São Domingos,
Já no início dos anos 50, sonhavam em 
montar uma escola em São Paulo. A
oportunidade surgiu por acaso, no final de
1951, numa visita feita à cidade pela irmã Maria
Aparecida. Num ponto de ônibus, foi informada de que
havia um externato à venda. Essa informação foi dada 
pela mãe de uma criança com quem conversou e que pediu
para estudar na escola da irmã. Quando ela explicou a
distância da escola, a mãe indicou o Externato
Maria Cristina, perto dali, fundado em 1950, na
Rua França Pinto, Vila Mariana. O negócio
foi fechado pouco tempo depois. O
Externato era misto, pequeno, mas
 bem montado, e deu origem
ao Rainha da Paz


 

     

    Paulista de São João da Boa Vista, Leonor Lopes da Conceição viu despertar sua vocação religiosa por volta de 1942, quando lecionava no Colégio São Domingos, em Poços de Caldas (MG). Após alguns anos de estudo, inclusive um ano de noviciado na Europa, Leonor passa a ser Irmã Rosa Maria. A partir de então, ela faz da profissão sua razão de ser e seu objetivo é um só: difundir a educação dominicana. Amante da obra do piloto-escritor francês Antoine Saint-Exupéry, ela deu vida a sua mensagem. “A grandeza de uma profissão consiste, talvez, na capacidade que ela tem de unir os homens”.

     Na volta da Europa, a Irmã vai para o Colégio Santa Maria, em Belo Horizonte, reiniciando seu trabalho de educadora. Mais tarde retorna ao Colégio São Domingos, já como mestra de disciplina e de estudos.

     Em 1955, a Irmã Rosa Maria é aplaudida de pé ao apresentar sua tese – “Saint-Exupéry e o céu sem limites” – à Faculdade de Letras de Sorbonne, em Paris. Sobre Exupéry ela apresentou ainda dois livros. Um deles, em 1959, é a tradução feita por ela própria da sua tese. O outro, “Saint-Exupéry e o Pequeno Príncipe”, foi publicado em 1973. Seus amigos apontam pelo menos duas coisas em comum entre a religiosa e o escritor. O amor pelos aviões e pelas rosas.

     Irmã Rosa Maria sempre elogiou a localização do Colégio, porque ali passavam os aviões que pousariam no Aeroporto de Congonhas. Era comum vê-la olhando para o céu à procura de um avião. Ela fez muitas viagens de avião e em todas ia à cabine dos pilotos. O seu amor pelas flores está estampado nos jardins do Colégio que tem, em cada canto, um pouco dela. Lá, junto com as religiosas, passava horas plantando, regando ou podando.

 

Chegou ao Externato Maria Cristina em 1958, com planos de aumentar a escola e consolidar a educação dominicana. O nome foi trocado para Curso Primário Rainha da Paz, mas ela já pensava no Ginásio Rainha da Paz. Ela deu, então, início às negociações para a compra de um terreno onde pretendia construir a escola da Congregação. A primeira tentativa não deu certo, mas ela não se abateu. Promoveu a união de todas as famílias e, juntas, efetivaram a compra de outro terreno e recomeçaram a construção da escola. 
Pessoa extremamente culta, corajosa, aberta, democrática, sensível, justa, forte. 

Esses são adjetivos comuns utilizados por todos que a conheceram. “Forte e com os olhos no futuro”, define-a Guilherme Antonio Baptista, diretor do Rainha. Em 1979, ela deu provas de sua firmeza e determinação, dispensando de uma só vez uma equipe de professores que não se adaptou à escola e à sua filosofia. “Irmã Rosa Maria sempre dizia que em uma escola de verdade todas as crianças devem ser conhecidas e chamadas pelo nome”, continua Guilherme. Por isso, ela direcionou todo o projeto educacional para o aluno e sua família.

O Jardim que 
Irmã Rosa 
começou,
florescendo junto
com o Colégio.

Veja o jardim hoje