É inegável a forte influência que a cultura e os costumes franceses exerceram sobre a sociedade brasileira até meados da 2a Guerra Mundial (1939). Desde o Império, passando pela instalação do regime republicano, era "chic" e constituía "status" encaminhar os filhos e filhas para a França, onde deveriam diplomar-se em qualquer nível do saber. Assim é que, por

 volta dos primeiros anos de 1900, várias meninas brasileiras estudavam em Auteuil, no Colégio da Congregação. Os pais ou parentes aconselhavam as Irmãs a virem fazer uma fundação no Brasil, onde não havia perseguições, mas espaço para trabalhar e levar em paz a sua vida de religiosas. O Brasil necessitava de Colégios daquele gabarito de refinada educação para os filhos dos barões do café, do açúcar e do boi. Assim, certas famílias brasileiras exerciam forte influência nesse sentido, uma vez que os pais se preocupavam, vendo suas filhas longe do lar.

O Presidente do Estado de Minas Gerais, Afonso Pena, um dos mentores da transferência da capital de Ouro Preto para Belo Horizonte, conselheiro da monarquia, pediu a primazia na fundação do Colégio de dominicanas para a nova capital mineira. O consentimento do Governo Federal foi obtido com a atuação do Barão do Rio Branco, que mantinha suas filhas no colégio, em Sèvres. As Irmãs chegaram ao Brasil no dia 2 de junho de 1903. Eram elas: Mère Marie Colombe de Jesus (que seria a primeira diretora do futuro Colégio), Mère Marie Pauline, Mère Marie Gabrielle e Soeur Jeanne du Rosaire.
As famílias belo-horizontinas ofereceram boa receptividade ao Colégio, instalado, inicialmente, em um palacete situado na rua da Bahia esquina com a rua Aimorés, onde nascia o Colégio Santa Maria, a 20 de julho de 1903, sendo o primeiro Colégio de ensino médio da cidade. As primeiras alunas eram todas filhas de famílias que começavam a compor o quadro da elite social da cidade. Depois, o Colégio foi crescendo e mudando de endereço até a aquisição, em 1908, de um terreno e a construção do atual Colégio "Santa Maria", situado na rua Pouso Alegre, esquina da rua Jacuí, no bairro da Floresta.
O Colégio Santa Maria notabilizou-se pela fina e esmerada educação que ministrou à mocidade feminina de Belo Horizonte. As aulas eram dadas em francês e, dentro do Colégio, era a língua oficial, não por imposição das Irmãs, mas por exigência dos próprios pais. As alunas consideravam extremamente bom o fato de só se falar em francês, pois, além de aprenderem com segurança as matérias curriculares, acabavam por falar, ler e escrever tão bem a língua francesa quanto a sua própria.
Em 1944, as Irmãs abriam a Faculdade de Ciências e Letras Santa Maria, visando a continuar a formação cultural cristã de suas alunas do Colégio Santa Maria. Belo Horizonte ganhava, assim, a primeira Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Em 1949, a Congregação cedeu-a à Sociedade Mineira de Cultura, sociedade civil da Mitra Arquidiocesana que foi reconhecida como "A Católica" ou Faculdade Católica. Foi depois promovida a Universidade Católica e hoje, Pontifícia Universidade Católica (PUC).

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